quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
O resto é paisagem.
Hoje só me ocorre dizer que gosto daquelas pequenas coisas que te fazem acreditar que começas a conhecer alguém. Não estou a falar de opiniões políticas, fanatismos desportivos ou de preferências artísticas. Nada disso. Toda a gente lê jornais, whatever.
São os pequenos detalhes. Aqueles momentos em que se escolhe entre um sorriso ou um cerrar de sobrancelhas, entre a piada fácil ou a resposta demasiado séria. Aquele momento em que um turista pergunta onde fica a Rua Castilho, quando a cigana pede para ler a sina, ou quando o empregado de mesa diz uma piada ao jantar. Esses detalhes. Instantâneos. Sem pose, sem ensaio, sem tentativa de maquilhar a realidade. É a vantagem das polaroides. O resultado pode ser assustador, mas não podes se não acreditar que tudo ali é a mais pura das verdades.
E para além disso, tudo o resto é paisagem. Pura construção metafísica daquilo que gostaríamos de ser.
E é isso. Por hoje.*
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Dirty talking.
Ora bem. Há uns dias atrás, provocada por uma série de eventos que não importa aqui revelar, houve uma certa discussão sobre o dirty talking que acompanha certos momentos de libidinosos devaneios. If you know what I mean.
Protagonizando esta profunda reflexão, alguém que mal consegue vocalizar um simples exemplo do que dirty talking pode ser, e outro alguém que cita Marco Paulo para recordar que lady, só mesmo à mesa.
E assim, à mesa de um habitual bar do bairro, num dia de semana como qualquer outro, surge todo um novo mundo por explorar! Sempre me disse a minha mãe que Marco Paulo seria alguma coisa que eu só iria saber apreciar com a idade. Sábia, a minha mãe.
Parece então que o fenómeno é comum e generalizado, e portanto, teorias deviam ser tecidas e devidamente partilhadas, para evitar eventuais ataques de pânico ou outras perturbações psicológicas de maior gravidade. Tenho para mim, que qualquer consulta de planeamento familiar, ou mesmo o próprio programa de educação sexual nas escolas, deveria abordar este tema. Para o bem de todos. Ou melhor, para a felicidade de todos.
Feita a sondagem a alguns exemplares do sexo masculino, parece que dirty talking é permitido, e até bem recebido, se (e só se) andar a par com um toque de classe e muita sensualidade. Fronteiras ténues, já para não dizer, areias movediças. E porque sensibilizar para esta fronteira seria pedir demais aos médicos de família e professores deste mundo, deixo aqui o meu repto: Marquês de Sade no Plano Nacional de Leitura já!
Tenho dito.*
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Happy 2012!!!
Porque apesar de tudo, este é um ano que promete. E promete muito. Se 2011 foi um ano de "primeiras-vezes", estou curiosa (muito curiosa) para descobrir o que trará 2012.
É certo que a sorte escolhe as cartas que temos para jogar, mas com mais ou menos criatividade, maior ou menor paciência, muita ou nenhuma crença, o resultado do jogo depende também da audácia do jogador.
... Let the games begin!*
sábado, 24 de dezembro de 2011
Histórias Felizes.
Mas porque por aqui a tradição não goza de boa fama, quero mais é desejar-vos dias felizes. Muitos dias felizes. O de hoje, e os outros todos que vêm depois. Dias cheios de lugares e momentos, partilhados com pessoas que tornam as nossas histórias um bocadinho melhores do que eram antes.
Porque são as histórias que importam. Porque são elas que dão uma estrutura e um sentido a tudo o que acontece. Portanto meus queridos, criem histórias, vivam histórias, contem histórias, partilhem histórias. E a todos aqueles com quem eu partilho as minhas também (as deste blog e as outras), desejo-vos a todos muitos dias muito felizes.
(E no que ao Natal diz respeito, as mensagens de telemóvel estão para o facebook da mesma maneira que os livros estão para os e-books. Parece que se perdeu qualquer coisa. Por isso, amigos do meu coração, vou melgar-vos os telemóveis com todo o meu amor, estejam por cá, por NY por Londres ou pela conchinchina!)
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
A walk in the park.
Há passeios que são apenas isso mesmo. Outros, que abrem portas, janelas e portais para realidades paralelas inesperadas. É daquelas coisas.
Num momento tens à tua volta àrvores cadavéricas que te acenam numa nudez cinzenta, o céu prestes a cair, o chão quase a rasgar-se, pronto a engolir-te. À tua frente, desenha-se o pior dos desfechos.
No momento seguinte, e na companhia certa, o cinzento já não é tão cinzento, o ar já não é tão gelado, o céu é um bocadinho mais azul, e o chão apara cada um dos teus passos. E de repente, é como se entrasses numa esfera autística onde só entra quem quiseres, o que quiseres, no momento em que achares oportuno. Pouco importa como acaba o passeio ou que vais encontrar quando lá chegares. Não fazem falta muitas palavras, nem conversas metafísicas, nem preencher o ar de ruído.
Porque em certas companhias o silêncio é confortável.
Porque a realidade se pode transformar e a paisagem transfigurar-se de cada vez que experimentares olhar.
Porque certos passeios no parque abrem possibilidades.
E eu gosto.*
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Nova morada.
A Chiquelette mudou de morada. Pelo menos até que a inspiração, as ideias e a retórica se desbloqueiem. Até ver, estará fechada a sete chaves no palácio da lua que, devo desde já avisar, sobretudo às almas mais propensas a estados depressivos, é um lugar bem atento às vontades da melancolia. E porque não me atrevo a qualquer tentativa criativa enquanto leio este senhor, deixo-vos uma pérola do mestre...
«As nossas vidas são determinadas por múltiplas contingências», disse eu a certa altura, tentando ser tão sucinto quanto possível, «e, todos os dias, lutamos contra estes choques e acidentes a fim de mantermos o nosso equilíblio. Há dois anos, por razões simultaneamente pessoais e filosóficas, decidi desistir dessa luta. Não porque quisesse matar-me, mas porque pensava que, ao abandonar-me ao caos do universo, o universo acabaria talvez por me revelar uma qualquer secreta harmonia, uma qualquer forma ou padrão que me ajudaria a penetrar em mim mesmo. A ideia fulcral era aceitar as coisas tal como elas são, era ir à deriva na corrente do universo. Não estou a dizer que tive êxito no caminho que decidi trilhar. Na realidade, fracassei miseravelmente. Mas o fracasso não vicia, não macula, a sinceridade da tentativa.»
Amen.
@ Palácio da Lua, Paul Auster
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Português Suave.
É o encanto de se ser Português. Vamos estando e ficando meio apáticos, meio felizes, meio perdidos, meio encontrados. Com medo de rir demasiado, ou de gostar demasiado, ou de nos mexer demasiado, não vá o diabo tecê-las, e o mundo provar-nos que estávamos enganados. E vamos cultivando estes amores e vontades meio mornos, meio transparentes, até que alguém, que não nós, os valide publicamente e grite aos quatro ventos que esse amor agora é da humanidade inteira. E nem aí mostramos os dentes, nem fazemos caretas, nem elevamos a voz, nem perdemos a compostura, nem reivindicamos nada. Com sorte ainda pensamos "eu sempre disse isto, porque é que nunca ouviram?" Português suave, portanto.
Posto isto, reitero a minha paixão profunda e absoluta por gentinha esquisita e estranha e difícil de gostar à primeira vista. Os que não sabem onde por as mãos no decorrer de uma conversa, os que reagem fora do contexto, os que cantam no meio da rua, os que se riem a bandeiras despegadas, os que nunca conseguem acabar uma frase porque a voz nunca consegue acompanhar a cadência das ideias. Parece-me a mim, que tenho a sorte de conhecer alguns. Weirdos e bichos do mato deste mundo, sou vossa fã.*
Btw, kinder surpresa da paragem do 709, encaixas perfeitamente na categoria de weirdo. Potencial.
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